quarta-feira, 9 de maio de 2012

Tudo bem

“Aos poucos as coisas vão retomando lugar, ganhando importância. Planos solitários e felizes. Velhos conhecidos reaparecem (ou será que eu reapareci?). O violão voltou a me acompanhar e já estou atualizando meu site de fotografia. Meu violão, minha câmera, meus livros, meus pés na rua. Típicas atividades solitárias, mas que já colocam um leve sorriso no canto da minha boca.

Uma pessoa muito amada disse que vem me ver. Ela nem imagina o quanto eu preciso dela aqui. Uma coincidência adorável.
“Se cuida” - Foi o que me disse num dos últimos encontros. Acho que preciso mesmo.
Bom, eu sempre me cuidei, agora não será diferente. Fazer as coisas por mim mesmo, pois ninguém mais fará. É a história da minha vida.
Repito as palavras de Diógenes de Sínope quando lhe venderam como escravo:
“Não está mal.”
Então quando alguém me perguntar como estou, direi “Está tudo bem.”, não importa como eu esteja, afinal, apenas eu posso me ajudar. Então…”

— Miguel Gonzales

segunda-feira, 7 de maio de 2012

quarta-feira, 25 de abril de 2012

Sufocando


Eu a vi.
Enquanto fumava em seu jardim, questionava seus próprios pensamentos, seus próprios sentimentos e tudo o que estava acontecendo entre nós.
Eu não pude dar-lhe uma resposta. Como poderia?
Talvez não seja adequado estar tão perto de alguém como eu, afinal, quem gosta de problemas?
Provavelmente eu não seja como ela sonhou um dia e sinto muito por isso.
Sinto-me tão perdido.
Perco meu tempo imaginando maneiras de alterar alguns acontecimentos passados.
Por que eu preciso tanto buscar respostas? Por que não consigo simplesmente aceitar o que está sendo esfregado na minha cara? Por que ainda tenho esperança?
Eu preciso dormir.
Como diz a música do Damien Rice “Estou sozinho novamente, rastejando de volta pra casa novamente, empacado ao lado do telefone novamente”. Tentei ouvir outras bandas, mas não consegui. Nem o violão do Bob Dylan prendeu minha atenção. As palavras saem da boca do Damiem como se ele as lesse nos meus olhos.
Ah, meus olhos. Por causa deles sou incapaz de esconder o quanto estou mal. Todos com quem encontro perguntam-me o que houve. Limito-me a falar sobre os sintomas. Não dormi bem, não comi, estou cansado ou tenho algo a resolver. A última coisa que quero é a intromissão de pessoas indevidas.
Essa hora que não passa.
Como sinto a falta dela. E de como ela passava a mão por trás da minha cabeça enquanto eu dirigia. De como ela repousava a cabeça no meu ombro enquanto seu rosto encostava o meu pescoço e eu podia fazer o mesmo. Abraçar sua perna e deitar a cabeça em seu colo. Sinto falta da sua voz falando ‘amor’ prolongando a pronúncia do O. Da sua risada enquanto eu contava uma besteira qualquer e das frases dignas de serem colocadas numa camiseta. Sinto falta…muita falta….
Preciso comer alguma coisa.
Gostaria tanto de conversar e que ela me dissesse tudo o que realmente sente, mesmo que isso acabasse comigo. Ao menos eu poderia chorar. Me faria bem, mas as lágrimas recusam-se a sair e sinto-me sufocado por tudo isso dentro de mim sem conseguir expulsar nenhuma gota dessa tristeza. As vezes acho que é isso que me matará um dia, guardar tudo dentro de mim. Queria ouvir sua voz e sentir que talvez ela precisa um pouquinho de mim, pois eu preciso do amor dela.
Eu preciso parar de me iludir, mas essa esperança recusa-se a me deixar.

sábado, 7 de abril de 2012

Andando sem destino

“
Hora de levantar.
Não importa que horas são, ele apenas sabe que precisa sair dali. Sente-se um pouco doente, mas, como de costume, não vai alertar ninguém sobre isso. Ele precisa sair. Precisa sentir a estrada embaixo dos seus pés.
Apesar de amar seu trabalho, ele sabe que não pode ultrapassar os limites de envolvimento nele. É exatamente por esse amor ao que faz que vai dar um tempo longe dali. Sem ouvir qualquer coisa sobre seus alunos ou envolver-se em qualquer discussão sobre os rumos da Educação. Claro que não será fácil. Todos os professores sabem o quão é difícil não pensar sobre trabalho. Mas ele irá ao menos tentar.
Longe de casa e com uma máquina fotográfica na mão, talvez o tomem por fotógrafo.
Sua mochila está pronta.
Ele aprontou-a há semanas enquanto decidia se iria partir ou para onde. Nesse momento ele decidiu. Não faz a mínima ideia de qual rumo seguir, mas irá sair e seguir para longe. Para um lugar onde ele possa ser ele mesmo o tempo todo, onde ele estará livre das caras de aprovação e covardia das pessoas do seu convívio. 
A direção é o de menos, essa decisão pode ser tomada já na rua.
Apenas uma coisa importa: Partir.
Outras coisas das quais esse homem quer fugir quando põe o pé na estrada são suas próprias esperanças e ilusões. Quando desse mesmo quarto de onde prepara-se para partir, ele direciona seus pensamentos e sorri a alguém que, no mesmo instante, faz o mesmo por outra pessoa, sua mente padece e reflete em seu corpo. Não raras sãos as vezes em que passou mal fisicamente por conta dessa tristeza avassaladora que o domina ao constatar o quão ingênuo ainda é por acreditar em alguns instantes que enfim sua vida mudou e que os bons sentimentos podem durar um pouco mais. Quando na realidade tudo é apenas uma construção poética de sua mente esperançosa, tudo começa e termina nesse mesmo quarto.
A vontade de ir embora é cada vez mais aparente.
Ele esforça-se para dissimulá-la diante dos seus amigos, pessoas que ele ama, mas duvida da reciprocidade de alguns.
Pergunta a si mesmo se deveria contar a todos o que pretende fazer, mesmo sabendo que irá ouvir censuras e alguns pedidos para desistir, se deveria avisar as pessoas que ela nunca mais terão a presença dele, ou se, como nas outras vezes, apenas dizer que irá viajar e que volta logo, mas, dessa vez, levar a decisão até o fim e não retornar.
Isolar-se do mundo no mundo, entre as pessoas, torcendo para não ser reconhecido em parte alguma.
Ele não está fugindo dos problemas, está fugindo do que esse convívio em sociedade o faz pensar e sentir. Ele pode conviver com a dor, mas está cansado de sentir-se acolhido e rejeitado ao mesmo tempo. Está farto de jogos sentimentais onde só ele parece empenhar-se em fazer o outro sentir-se bem, sentir-se feliz.
Todas as noites ele pergunta a si mesmo “quando será a minha vez?
E quem pode culpá-lo?
O que faríamos no lugar dele?
Ele sabe que não é a escolha. Ele sabe que cultiva esperanças ao mesmo tempo que são nutridas outras esperanças que o farão sofrer. Sabe que ao pensar em alguém, esse alguém pensa da mesma forma em outra pessoa. Ele não é a escolha. Ele não sabe o que é.
Atitudes e palavras se confundem e desorganizam pensamentos.
Enquanto caminha de um lado para o outro do quarto, tentando calcular o tamanho de sua desgraça, deixa de pensar em si mesmo e pensa nas investidas e retomadas de diálogos que, se dessem certo, fariam com que ele fosse rejeitado de vez por quem ama.
Mas o que o intriga mesmo e perguntar-se de que maneira isso iria acontecer, se de repente tal investida fosse correspondida, o que diriam a ele?
”

terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

Deformado

Eu não culpo ninguém por isso. São fatalidades, acontecem o tempo todo com todo mundo. Cada um de nós tem aquele ponto de fragilidade. Aquilo que você não fala o que é nem para aquela pessoa que você sente poder contar qualquer coisa.
Eu sei que não sou o único, mas isso não diminue minha tristeza. Não sinto-me especial por isso.
Isso não faz-me mais bonito tampouco o mais feio. Apenas resgata-me quando sequestrado pela alegria e joga-me contra essa velha parede que construi-se na minha vida ao longo dos anos, sem que eu poudesse fazer qualquer coisa para impedir.
Eu tomei as rédeas da minha vida, resolvi fazer meu próprio caminho, mas ninguém está imune às desavenças e infortúnios que apresentam-se diante de nós. E não podemos mudar isso, apenas lidamos com essa realidade.
 Eu não culpo ninguém, não sinto-me único e especial, não me acomodo, mas também não me iludo.
Mas essas perguntas não saem da minha cabeça.
Por que eu?
Eu, sempre alternando entre tristeza e obstinação, agarrado-me a qualquer resquício de alegria que ousa passar por mim, recusando-me a soltá-lo e esforçando-me para fazê-lo durar mais um pouco.
Eu, tão deformado e sem ter a quem culpar, mesmo querendo aliviar essa dor jogando a responsabilidade em cima de terceiros, não há maneira de fazer isso, só posso suportá-la.
Sei que se contar a alguém o real motivo desse sofrimento, mostrar minha deformidade que infecciona minha vida e impede que eu mantenha um sorriso no rosto por muito tempo, se me apresentar na forma que estou agora enquanto escrevo essas palavras, esse gárgula asqueroso, se me apresentar sem as máscaras que aprendi a usar para disfarçar essa carcaça repulsiva, dirão-me que a vida é assim mesmo, que preciso agarrar-me a algo que me dê forças, que querem que eu fique bem, que procure me lembrar das coisas boas que já aconteceram, ver o lado bom das coisas e que eu esqueça tudo isso, mas eu não posso. Eu não tenho esse poder para arrancar isso da minha vida, acredite, eu já tentei.
As pessoas poderiam dizer muitas coisas, e eu só gostaria de dizer uma.
A culpa não é minha.
Tenho vontade de berrar isso na cara de todos que aproximam-se de mim e automaticamente fazem juízos a meu respeito, e sem perceber me tratam como responsável pelas desgraças em mim. 
Quando me olha, o que você vê é a imagem serena e centrada de alguém que aprendeu a contornar coisas ruins. Em minha cabeça estou gritando.
A culpa não é minha!
A culpa não é minha!
A culpa não é minha!

domingo, 19 de fevereiro de 2012

Noite passada

O que você fez noite passada?

Pergunta que eu não gostaria de responder em certos momentos.
Visualizei durante todo o dia como nós nos divertiríamos juntos. Coloquei um sorriso no rosto antes e uma música alegre depois de entrar no carro. Segui cantando por todo o caminho tentando imaginar os lugares que poderíamos ir, sempre rindo-me no final, pois sabia que isso não importava nenhum pouco, em qualquer lugar a alegria nos acompanharia e estaríamos bem.
Quando cheguei na sua casa, meu olhos com toda a felicidade do mundo encotraram você, tenho certeza que cintilaram de satisfação. Saímos falando das coisas que fazem nossos dias melhores enquanto a troca de carinho se fazia presente e nos aproximava cada vez mais.
Encontramo-nos com poetas, até planos para o dia seguinte...
De volta à sua casa, te vejo em frente ao espelho pouco antes de arrancar com violência o sorriso do meu rosto. E em poucos minutos cá estou eu voltando para casa novamente, sozinho novamente...
Procuro refúgio com amigos, tento me distrair, tento ordenar meus pensamentos...
Na mesma noite ainda dá-me resquícios de sua compania, que eu procuro aproveitar ao máximo como um cão faminto avança sobre migalhas. E quando todos se vão, somos apenas nós de novo, é chegado o momento de terna felicidade, momento de compartilhar nossos sentimentos, momento de atenção mútua, nosso momento...então força-me a contentar-me em admirar a beleza de sua estátua sem vida.
A acompanho até sua casa. Um beijo. Até amanhã...

O que fiz noite passada?
Tudo o que podia fazer. Sozinho, rastejei de volta para casa, empaquei ao lado do telefone e chorei.

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

Você não diz

Ouço suas palavras. Dizem que sou um cara legal, uma boa compania, até bonito. Que gosta muito de mim, que mereço ser feliz, que sou especial, ao menos pra você. Você diz que eu devo ter paciência, que um dia vai aparecer na minha vida alguém que me mereça, alguém que goste de mim, alguém que me ame. Diz que não entende como um cara com todas as minhas qualidades ainda não está fazendo a felicidade de alguém, mas que esse alguém irá aparecer.
Porém, não é você.

Você não diz, mas age como se fosse indigna de estar ao lado de um homem como eu. Ignorando meus sentimentos e desejos, não importam quais.

Você não diz, mas…não quer estar comigo.

Pois você quer estar com ele.

Ele…que te faz feliz, a quem você faz feliz.

Que faz seu sorriso iluminar o ambiente e seus olhos cintilarem.

Ele que é ótimo com as palavras e sempre fala o que você quer ouvir. Te completa. Com elogios e declarações que fazem seu coração trepidar.

Ele que é um anjo. Que lhe dá segurança e sonhos preguiçosos.

Ele que é lindo.

Então, você está feliz.

Você está linda, de mãos dadas, passeando numa brisa fresca. Acorda pela manhã e é invadida por pensamentos alegres, esperançosos. Ansiosa para que o tempo passe logo e você possa estar ali sentada ao lado daquele que tanto te adora.

Suas vidas começando….planos para o futuro…sorrisos abertos e sinceros…o peito cheio de vida e amor.

E quanto a mim?

Devo esperar a chegada de alguém que não me diga que outro alguém um dia irá chegar? Reprimir o que sinto agora para dar chance a “pessoa certa”?

Neste momento…e quanto a mim?

— Miguel Gonzales