quinta-feira, 22 de julho de 2010

Estou cego?

Ontem fui a uma loja comprar uns filmes, dar uma volta pra distrair e sair um pouco do tédio que é ficar dentro de casa. Na volta, sentado dentro do ônibus, comecei a recordar as palavras de uma amiga, que já nem sei se é amiga, pois ela foi morar em outro estado e raramente nos falamos. No entanto, eu estava lembrando dela tentando me animar. Frases do tipo "Você pode reclamar do seu trabalho, ou agradecer por ter um emprego", por aí.
Mas um frase que ela disse em especial me veio a mente enquanto eu olhava pela janela do ônibus e as casas passavam rapidamente lá fora:

"Não dá tudo errado na sua vida, apenas você não percebe as coisas que estão dando certo, pois aquilo que dá errado chama muito mais sua atenção."

Beleza!
Até que faz sentido.

Pensando nisso enquanto o ônibus balançava, fazendo com que eu batesse com a cabeça levemente contra o vidro, decidi tentar enxergar o que estava dando certo e eu não percebia.
Chegando ao terminal, onde eu pegaria o segundo ônibus, vi-o sair pelo outro lado, lógico, sem mim. O próximo só dali a uma hora. Decidi, então, partir para outro terminal onde pegaria outro ônibus que me levaria pra casa.
Entrei no ônibus sentido ao outro terminal e me perguntava:'Onde tá dando certo?
Tempo depois eu estava no outro terminal, olhei o horário e constatei que meu querido 'bus' havia saído a dois(sim, apenas dois!) minutos. Outro só dali a uma hora.
Sim, o transporte público de Jundiaí é um lixo!
Depois de dez minutos eu estava dentro de outro ônibus que me deixaria a 15 minutos a pé da minha casa.
Andando na rua a caminho do lar, a pergunta não saia da minha cabeça: 'Onde tá dando certo?'. Eu realmente estava tentando enxergar.
Ao chegar na esquina da minha rua vejo, quase não acreditando, um ônibus. Olho no relógio, faço uns rápidos cálculos mentais e descubro que aquele ônibus é o mesmo que eu teria pego se tivesse esperado no primeiro terminal.

Insito: Onde é que tá dando certo que eu não estou vendo?

E nem adianta vir com o papo de que eu estou vivo, saúde, andando, etc,pois tudo isso é papo furado para as pessoas se conformarem com suas vidas desgraçadas.
As coisas podiam estar piores? Sim. Mas podiam melhorar também!

Eu não me conformo e vou continuar com as perguntas que normalmente recebem respostas idiotas, infundadas e conformistas.

Eu já escrevi sobre Autoajuda nesse blog, mas vale a pena reforçar:
Enfiem suas frases motivacionais no rabo!!!
Não somos especiais e isso não vai mudar com palavrinhas doces de tapinhas nas costas.

Posso continuar citando exemplos da minha própria vida, mas já estou depressivo o suficiente.

quarta-feira, 14 de julho de 2010

Pertencer

"But I'm a creep, I'm a weirdo.
What the hell am I doing here?.
I don't belong here"


Trecho da música Creep - Radiohead.

As pessoas estão sempre me perguntando se eu pertenço a alguma coisa.

Por que eu preciso fazer parte de algo específico? Por que preciso me encaixar?
Ainda procuro uma resposta convincente para essas perguntas.

Sei que há uma busca da maioria das pessoas para serem aceitas. Dizem que é algo da nossa natureza e eu concordo. Por mais que gostemos de fazer coisas sozinhos e não abramos mão de nossa privacidade, sempre estamos cultivando algo para nos socibilizarmos.
Porém, há quem pense(e não são poucos) que exista a necessidade de uma pessoa frequentar determinado ambiente, com determinadas pessoas e seguir o que esse grupo em especial rege. Fazer parte de uma tribo urbana, de um religião, um grupo seleto de amigos que curtem as mesmas coisas e agir da mesma maneira que seus companheiros.

Pergunta: Por que???

Antes que algum imbecil venha me dizer que o ser humano é um animal que vive em grupos, e é da nossa natureza buscar compania, e em tal livro está escrito que não nascemos para ficar sozinhos, entenda: tudo isso esclarece o motivo pelo qual há a busca por ser aceito, mas não é motivo para fazer essa busca, restringindo caminhos, selecionando pessoas e fechando-se num mundinho de seres que procuram de maneira desesperada tornarem-se iguais entre si e diferente dos outros.
As pessoas estão sempre me perguntando se eu pertenço a alguma coisa. Alguma tribo, uma religião, uma ideiologia, um partido ou visão política. Que pergunta mais cretina!

Mas, claro, não são mais cretinos do que os que olham para mim e me rotulam de alguma maneira. Sim, dizem o que sou só de olhar, sem ao menos perguntar. Já me disseram que sou punk, gótico, roqueiro, skinhead, emo, gay, extremista, comunista, direitista e por aí vai. Bateram o olho em mim e já disseram. Sinto se eu estiver errado, mas isso não é muita prepotência? Alguém acha que sabe algo sobre você só de olhar?

Sim, existem muitas divisões e subdivisões na nossa sociedade e a maioria das pessoas, se não estão inseridas nelas, estão tentando a aceitação.

No entanto isso não é unânime. Há quem não queira se encaixar. Há quem não queira modelar-se para ser aceito. Há que queira ser como é. Isso não significa necessariamente que queira ficar sozinho o tempo todo. Só que não pertence a um grupo específico.

Eu não posso me rotular assim tão facilmente. Não consigo seguir tudo o que manda deteminado grupo. E nem posso odiar alguém simplesmente por ser diferente de mim, como acontece na maior parte do grupos. Nunca fui bom em seguir modelos, ídolos ou regras. No máximo eu sigo a parte que eu concordo de certa visão política ou religiosa, ou insiro no meu estilo de vida algo que achei legal em tal tribo. Mas é muito difícil seguir, gostar, concordar com tudo que outro lhe impõe. E eu seria muito hipócrita se fingisse isso só para ser aceito.

Você pode me achar um verme.
Sim, eu sou um esquisitão.
Não sei o que estou fazendo aqui.
Não pertenço a isso.

E não preciso pertencer.

segunda-feira, 28 de junho de 2010

Dominados

“Fome? Pobreza? Isso não me interessa. O que me interessa são revistas importantes, TV com 500 canais, marcas famosas nas minhas cuecas.”

Parei pra pensar um pouco sobre a história da humanidade.
A maior parte das informações que chega até nós retratam intrigas, guerras e todo um arranca rabo em busca da liberdade. Desde os primórdios, as pessoas sempre lutaram e deram o sangue, quando não a vida, pelo direito de não servir a outro homem.
Ao longo dos séculos, o pau quebrou em todo lugar. E o ideal sempre foi o mesmo.
Liberdade!
Então eu me pergunto: depois de tanta luta, como a humanidade chegou ao que é hoje?
Com um espírito tão forte de conquista da liberdade, como permite isso?
Alguém entra em sua casa e lhe dá a seguinte ordem:
“Você ficará aí sentado olhando para mim! Apenas sairá pra prover seu sustento, mas todo seu tempo livre ficará aí sentado me admirando, olhando fixamente para mim! E, mesmo longe de mim, eu serei seu principal assunto, não ouse falar de outra coisa senão sobre mim!”
Qual a sua reação? Levantar-se e expulsar tal insolente por tamanho atrevimento?
Não!
Você se cala e obedece. Todos os dias.
É isso que você tem feito. Todos os dias você volta do trabalho, senta-se no sofá e cumpre a ordem.
Você não contraia isso jamais. Já não pode viver sem ela.
A Televisão.

Esse é o novo Evangelho. Tudo o que passa lá é tomado como a mais pura verdade. Jamais questionada, a televisão tornou-se a mais procurada fonte de informações do mundo. Livros, jornais e até mesmo a internet perde força diante da incontestável TV.
Livros e jornais são tidos como ultrapassados. Pois são trabalhosos, tomam um tempo maior para um aproveitamento ideal.
Já a internet é sempre tida como fonte duvidosa, além de requerer um trabalho de busca.
A televisão ganha a preferência, pois você só precisa sentar sua bunda preguiçosa no sofá e deixar que ela lhe mostre tudo. Ela irá saciar sua sede de conhecimento. Tudo o que você saber está ali.

NADA DO QUE VOCÊ PRECISA SABER ESTÁ ALI!!!!

A televisão é um poço de ilusões.
Nada lá é real. Estão tirando sua atenção das coisas que estão acontecendo. Estão te dominando cada vez mais.
Lhe dizem como vestir-se, o que comer, onde morar, como se comportar.
Educam seus filhos, ensinando-lhes todo tipo de porcaria.
Você não quer pensar em política, não quer pensar nas leis que regem o seu país, não quer pensar em pessoas famintas, em guerras e vidas se perdendo. Pois você não pode perder o próximo capítulo da novela.
Não interessa o domínio de homens sobre homens, pois você quer saber o que acontecerá no reallity show da vez.
Não importa o que aconteça no mundo desde que você possa ver todo o circo armado pela TV.
Você assiste no telejornal a quantidade de assaltos e homicídios que houveram numa determinada região e se diz bem informado. Claro, pois você sabe exatamente quantas pessoas morreram na enchente que aconteceu do outro lado do mundo, e sabe também quantos civis morreram nos bombardeios sobre o Oriente Médio.
O que você fez com essas informações?
Qual foi sua atitude para ajudar todas essas vítimas de tamanha desgraça mundial?
Nada.
Pra você isso tudo não passa de mais um filminho de terror.
Você lamenta os assaltos e homicídios, mas não pensa na causa disso.
Você lamenta a guerra, mas não idéia dos motivos que levaram a ela.
Você tem um opinião formada sobre tudo, mas não faz a mínima ideia do que fala, pois essa opinião não é sua, a televisão que te deu.


A televisão é sua verdade absoluta. E você jamais vai contestá-la.
Você abdicou da sua vida pra ouvir ilusões, mentiras, verdades manipuladas e qualquer bobagem que queiram te enfiar cabeça adentro.
Você não é livre.
Você perde o mundo lá fora, perde o universo acontecendo, perde muito mais do que pode imaginar, para render-se ao circo televisivo.
Meus parabéns! Seu grande idiota!

domingo, 27 de junho de 2010

Eu sei.


Acho que nós sempre fomos mais amigos que amantes.

Sinto uma certa estranheza ao lembrar daquela noite. Tudo aconteceu espantosamente da forma mais fácil, cada palavra ou gestos estava milimetricamente no lugar. Tempo ritmado. Sem obstáculos.

Sim, a idéia partiu de mim. Você não estava bem, já não falava comigo, nem sorria e até o riso que eu sempre facilmente lhe arrancava, sumiu.

Corri até sua casa e lhe questionei. Eu precisava começar uma conversa que eu já sabia como terminaria.

Segundo suas próprias palavras, você só estava estranha. Mas para mim não importava o que você falasse naquele momento, eu estava lá por um motivo, eu tinha um objetivo naquela conversa.

Te disse que queria resolver tudo naquela noite. Você me pediu um tempo, e eu não dei.

Eu já conhecia essa história de tempo e tal. Te pressionei a falar. E você falou.

“Daqui pra frente nós somos só amigos.”

Um abraço apertado e eu andando só na rua de novo, com o sentimento de que as coisas estão como devem estar.

Eu sei que nessa noite eu fiz uma coisa boa.

Eu sei o motivo para você estar estranha. Eu sei o que te levou a afastar-se de mim dessa maneira.

E sei, também, o porque você nunca mais tocou no assunto, dando a impressão de que nada aconteceu.

Provavelmente você já esqueceu de tudo, considerando que já passaram-se anos desde aquela noite. Provavelmente você sequer pense a respeito, e não faça a menor idéia de que eu escrevo estas linhas. Não posso imaginar sua reação se um dia as ler.

Há quem diga que devemos compartilhar o que sentimos, nossas emoções, nossos problemas, mas não é bem assim.

Você não precisava passar por tudo aquilo, não precisava aguentar uma cruz que não é sua. Você precisava de tranquilidade.

Uma segurança que eu não lhe podia oferecer. Eu estava com problemas, e já fazia bastante tempo. Eu não podia dizer quando estariam resolvidos, eu não sabia.

Constrangimentos, dor, lágrimas. Eu levantava no meio da noite e você sabia que eu não estava bem. Tudo fora do normal, de maneira ruim e triste. Meus problemas.

Como você se meteu nisso?

Você queria sair, mas não sabia como fazer isso, não sabia como me dizer que você queria voltar pra sua vida, sem surpresas, sem angústia. Não sabia me dizer o quanto você queria sua tranquilidade de volta. Então você se fechou. Na sua introspecção, imaginava meios, palavras, motivos que parecessem razoáveis, não achava, você estava infeliz.

Eu sei.

Você não precisava suportar essa dor, não precisava passar por tudo isso.

Mas eu precisava. Então eu fui até sua casa. Sabendo que isso iria me doer por muito tempo, mas fui. Falei-lhe, e tudo saiu como eu esperava....doeu....só não desabei por ver tanto alívio no seu olhar. Você estava livre. O seu abraço foi leve e descansado.

Fiz o que era certo.

Você não precisava passar por tudo aquilo.

Mas eu precisava. E passei.

Com você fora de cena eu enfrentei tudo aquilo que me afligia. Suportei toda a dor. Todo o sofrimento. E venci.

Sempre houveram motivos obscuros por trás das desculpas que inventamos para o que aconteceu com a gente. Ainda hoje você crê que tudo passou de forma tranquila e o mundo simplesmente girou e colocou as coisas no lugar.

Você não sabe que eu sei, mas eu sei.

quarta-feira, 21 de abril de 2010

Figuras repulsivas II - Surdos

"Quando as pessoas pensam que você está morrendo, elas realmente prestam atenção em você, ao invés de só esperarem a vez delas de falar."
Frase do filme Clube da Luta

Realmente.
Nada como a verdade jogada na cara de todos.

Depois de ouvir essa frase passei a prestar atenção no desenrolar dos diálogos, tantos os quais participo, quanto aos outros em minha volta. Não ao assunto, mas em como divide-se o tempo de fala para cada um dos envolvidos na cena.
É triste.
Triste constatar que as pessoas ficaram surdas. Não literalmente como meus amigos do CSJ. Mas de uma maneira pior. As pessoas se dispõe ao diálogo, porém insistem no monólogo.
Quando estiver conversando com alguém, preste atenção se ela realmente está te ouvindo, ou está somente procurando em suas palavras uma brecha pra ela começar a falar também.
As pessoas não querem ouvir, querem falar.
Não importa o assunto. Não importa o que você sente, o problema que você está passando, suas alegrias, alguma decepção. Não importa. Tudo é apenas motivo para falar, nunca para ouvir.
Você começa a desabafar com alguém sobre aquela dor de cotovelo, esse alguém se propõe a dar-lhe o ombro amigo, você começa a falar sobre a triste situação e lá está essa pessoa amiga pra te acolher e dar-lhe a atenção que você tanto precisa nesse momento difícil.
Pórém você só 'começa' a falar.
Não demora muito e suas palavras são atravessadas pela fala brutal do seu acolhedor.
Ele te dá força, te aconselha, fala de experiências que ele já passou e se saiu bem, fala do conhecido do amigo do cunhado da ex-mulher do primo dele que passou pela mesma situação que você.
Mas ele nem te ouviu, pois você não terminou de falar.
Será que esse cara tá lendo sua mente???
Não, acontece apenas que ele não quer te ouvir, ele quer falar.
E nem adianta mudar de assunto. Se você falar de suas alegrias, ele começará com a frase: "Que ótimo! Fico feliz por você. Eu também estou com um projeto que vai me deixar muito bem....". Daí em diante os ouvidos dele são obstruídos.
Surdos egoístas. Não dão a mínima para o que o outro tem a dizer.
Então os diálogos transformaram-se em disputas de falantes,de quem consegue ficar o maior tempo falando sem ser atravessado por outra boca grande.
Mas o que me mata é que quando uma dessa pessoas se depara com alguém que realmente pára para ouví-la, diz que a pessoa é muito quieta, que não conversa, que não dá importância ao que está sendo dito. No entanto, ela está apenas sendo ouvida de verdade.
É triste.

Surdos pelo egoísmo.

A quem você tem dado ouvidos?
Pense...

sexta-feira, 16 de abril de 2010

Figuras repulsivas I - A Vítima

Meu, tava aqui pensando em algumas atitudes humanas que para mim são repulsivas.
Por exemplo:
Uma personagem que tem ganhado espaço em nosso meio, se tornado muito comum em todos os campos da sociedade, é a "Vítima".
A Vítima é aquela pessoa que sempre tem uma história pessoal, triste e real pra contar. O mundo conspira contra ela. A tragédia é uma constante em sua vida. E ela se torna uma vencedora apenas por viver e suportar tal desgraça.
Como uma senhora que trabalha no mesmo prédio que eu. Não se consegue manter um diálogo com ela, pois se você chega de bom humor, diz 'bom dia' e conta como você dormiu bem depois daquela prática de yoga de ontem a noite, ela diz que dormiu muito mal, teve insônia, pois está com muitos problemas, e ainda tem que trabalhar, aturar a chefe que sempre está no pé dela, que a odeia, a persegue, e a culpa é sempre dela, que ela não foi avisada que havia um pedacinho do bolo do aniversariante do outro setor na cozinha então ela foi a única a não saborear tal manjar dos deuses, e que seu filho mais novo está tristonho por culpa da professora da escolinha, seu filho mais velho anda vendo pornografia por culpa do pai dele, ela não consegue fazer nada pois sempre há alguém para impedí-la, ela não pode contar com ninguém...bláblábládesgraçatotal.
Uma voz na minha cabeça disse: Fala de algo triste de verdade pra ver se ela se toca que o mundo não é tão ruim.
Um dia comecei a fala da doença que tive quando criança. Tsc tsc!
Nem terminei de falar(Aliás, mal comecei), ela desandou a vomitar o inferno em cima de mim. Começou com a frase "Você não sabe o que aconteceu comigo...". Daí pra frente nem preciso descrever a enchente de merda que invadiu meus ouvidos.

O duro é saber que uma pessoa assim jamais toma qualquer atitude para mudar sua vida. Ela é sua maior inimiga. Provoca cada desgraça que acontece em sua vida, apenas para ter o que contar(aumentando um grau cada vez que reconta). E ainda joga a culpa nas pessoas mais próximas que encontra. É mais fáil. Acomoda-se nessa sub vida.

Isso é repugnante!

O mundo não conspira contra você.
Quem você pensa que é para ter toda essa atenção?
Você não é especial!

Pense!

domingo, 1 de novembro de 2009

Conflito de gerações

Meu, tava aqui pensando, mas o que há com as pessoas?
Nada nunca está bom o suficiente.
Eu, como a maioria das pessoas, adoro música. Sempre estou escutando algo e procurando músicas legais pra ouvir.
Semana passada uma mulher(um pouco mais velha) que trabalha comigo me perguntou o que eu estava ouvindo.
Passei um fone pra ela, era uma música nova de uma banda recente.
Ela não gostou. Disse que era só barulho e que as músicas de hoje são só isso mesmo.
Tudo bem, gosto é gosto.
No dia seguinte eu levei uma música antiga, mas na versão de uma banda nova. A mulher adorou, falou que o novo arranjo ficou muito bom, mas completou com "as músicas que vocês curtem hoje nós já curtíamos muito antes, vocês só sabem copiar"

Opa!

Assim fica difícil uma convivência saudável.
Se criamos algo novo, não presta.
Se nos deixamos influenciar por nomes consagrados ou seguimos uma linha já existente, estamos copiando.
Será que o jovem não faz nada certo?
Será que não existe capacidade na juventude para realizar algo de boa qualidade?

Uma frase: Cada geração se considera mais inteligente que a anterior e mais sábia que a posterior.
Disso surgem frase que sempre iniciam-se por "No meu tempo...", "O jovem de hoje...". Com isso vangloriam-se do tempo maravilhoso que viveram na juventude e distribuem impropérios sobre os tempos atuais.
Vamos com calma.
As coisas mudam com o passar do tempo, mas só por que é diferente não significa que é pior, nem melhor, só é diferente.
Há muitas coisas boas que surgiram com o passar do tempo, coisas ruins também. Vamos analisar caso a caso, e não generalizar tudo. Afinal, quem faz o mundo são as pessoas, seus pais fizeram o mundo maravilhoso em que você nasceu e cresceu, se o mundo dos seus filhos não está bom a culpa é de quem?
As pessoas modificam o mundo, a sociedade é composta por pessoas.
Eu nasci num mundo construído por meus pais, se ele não é o mundo ideal, não posso ser culpado, sou responsável pelo que faço agora e pelo mundo que construirei para meus filhos e gerações futuras.
O jovem não precisa ser reprimido, precisa de conhecimento. Com isso, ele mostra do que é capaz.
Pense.